Propaganda, música e futebol Imprimir E-mail
Quando eu era uma espécie de Joãozinho Trinta em Guaratinguetá, me perguntaram em uma entrevista se o samba de enredo deveria ser curto, respondi que não havia samba curto ou comprido, havia o samba bom, ponto final. Da mesma forma quando me falam que um determinado título de anúncio está longo, eu penso que a comunicação precisa ser correta, de preferência criativa, não importa o número de palavras. A publicidade não está tão atrelada ao número de toques como o jornalismo e muitas vezes uma vírgula mal colocada pode por tudo a perder. E lá se vai uma bela chamada.

Assim como não há música antiga ou nova, há música boa - Noel Rosa ainda é muito mais moderno que muitos compositores contemporâneos - não há futebol moderno ou antigo ou, pior ainda, futebol arte e futebol competitivo, como se fala por ai. O que acontece é que muita gente desconhece a história, seja do próprio País ou da profissão que exerce.

A nossa propaganda, por exemplo, tem uma história consistente com personagens riquíssimos, mas poucas pessoas, inclusive do meio publicitário, se interessam por ela. A propaganda, a música, o futebol, entre outras áreas e manifestações são frutos das lições que aprendemos com seus fundadores. Tecnologia é cultura e a cultura de um povo se faz no campo, nas ruas, no dia a dia, não é por acaso que o cinema americano é o melhor do mundo, que nossa música e nosso futebol encantaram e ainda encantam o mundo. A soma de talento, criatividade e o constante aprimoramento dessas virtudes, se não levam à perfeição, faz com que sempre estejamos um passo à frente dos outros. O espelho criativo dos pioneiros reflete o futuro. Há mais coisa em comum entre Washington Olivetto, Garrincha e Tom Jobim do que imaginamos e o surgimento deles, como estrelas em suas atribuições, se deve muito aos Orígenes Lessa, Alex Periscinoto, Heleno de Freitas, Leônidas da Silva, Pixinguinha e Ari Barroso, entre tantos outros gênios da raça. Eles nos deixam um valioso legado, resta a nós aprender.

PS: Eu queria oferecer este texto ao Dunga, mas não sei se adiantaria muito.